domingo, 17 de maio de 2009

é isso.

Dobrada à morda do Porto - Álvaro de Campos Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo, Serviram-me o amor como dobrada fria. Disse delicadamente ao missionário da cozinha Que a preferia quente, Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria. Impacientaram-se comigo. Nunca se pode ter razão, nem num restaurante. Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta, E vim passear para toda a rua. Quem sabe o que isto quer dizer? Eu não sei, e foi comigo ... (Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim, Particular ou público, ou do vizinho. Sei muito bem que brincarmos era o dono dele. E que a tristeza é de hoje). Sei isso muitas vezes, Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram Dobrada à moda do Porto fria? Não é prato que se possa comer frio, Mas trouxeram-mo frio. Não me queixei, mas estava frio, Nunca se pode comer frio, mas veio frio.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

foi onde para

além do arco-íris?novos planetas?sete pés abaixo?terra do nunca?mundo dos passarinhos?corpo de mosquito?divina comédia?fantasia?foi peregrinar para o infinito devido ao finito?foi-se.

domingo, 7 de setembro de 2008

a frase se metamorfoseou.

O meu direito começa onde começa o seu direito.

domingo, 24 de agosto de 2008

blá.

queria que essa solidão se desedentarizasse.

domingo, 10 de agosto de 2008

sei lá eu, hein?

A gente fica meio desincontrado com o que a gente é... não dá nem tempo de aprender as coisa.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O prazer escorrega pelas mãos

Ninguém está pronto, nada está pronto. Tudo é um perpétuo fazer-se.
*
E até o vento, que vive arrepiando toda essa gente, está arrepiado com toda essa coisa.
*
E a velhinha, percebendo a tristeza da neta, perguntou se ela não via mais passarinho verde. Num sorriso singelo, que não convence ninguém, respondeu que via, mas que ele gostava de outras gaiolas.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Todo dia ele diz tudo sempre igual:

P: Ainda é cedo filha
F: Começou... (bocejo.)
P: Mal começaste a conhecer a vida
F: ... ("quase 50 anos de praia", né?!)
P: Já anuncias a hora da partida
F: ... (que drama!)
P: Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
F: ... (Como assim?! Ah! "esse rumo te levará para debaixo da ponte!")
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P: Preste atenção filhinha
F: Eu presto... (e em dois sentidos...)
P: Embora saiba que estás resolvida
F: ... (Sim, estou.)
P: Em cada esquina cai um pouco a tua vida
F: Vou anotar essa pro seu livro de frases.
P: Em pouco tempo não serás mais o que és
F: Você não disse que sabe que estou resolvida?!
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P: Ouça-me bem filha
F: ... (Lálálá... não tô ouvindo, não tô ouvindo!)
P: Preste atenção, o mundo é um moinho
F: ... (Ual! uma metáfora! inédito!)
P: Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
F: Mesquinho... (é o caralho!)
P: Vai reduzir as ilusões à pó.
F: ... (Um dia mostro que você está errado!)
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P: Preste atenção filhinha
F: Não, cansei. Vou pra casa...
P: De cada sonho tu herdarás só o cinismo
F: Você me prometeu que não tocaria mais nesse assunto...
P: Quando notares estás a beira do abismo
F: Ei, já te disse: quanto mais você insiste, mais tenho vontade de te contrariar!
P: Abismo que cavaste com teus pés
F: Nunca te vi tão poético... Vou embora, tchau.
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Referências Bibliográficas: O Mundo É Um Moinho - Cartola
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ps. cansei de passarinhos.